Segunda-feira, 24 de Dezembro de 2012

 

 

Neste final de ano sou, sem dúvida, mais rica pelas dezenas de pessoas que conheci, me cruzei e partilhei momentos únicos de beleza, emoções, sentimentos nobres e sublimes! Tantos momentos de paz, amizade, solidariedade fizeram-me voltar a crer em mim própria quando escolhi para meus valores o Sermão da Montanha e tantas outras mensagens de amor, paz, tolerância, compreensão, doçura, perdão, alegria de que a Bíblia está recheada bem como muitos outros livros sagrados ou escritos por homens e mulheres inspirados, conscientes, alerta.

Esta paisagem representa a minha terra natal, Moçambique, tal como ela preenche as minhas memórias: mar, coqueiros, céu e uma grande paz e tranquilidade mesmo nos momentos tormentosos das tempestades climatéricas ou emocionais.

Por isso a coloco aqui, nesta véspera de Natal, a poucos dias do início deste tão desejado ano de 2013, cheio de promessas de mudança, do surgimento de novas filosofias, novas maneiras de estar na vida e neste mundo que habitamos. Porque me dá tranquilidade e paz. As últimas semanas deste ano foram efervescentes de emoções, de despertar de emoções enterradas há muito mas que, afinal, estavam bem vivas, só à espera de um vendaval para surgirem mais anguilosantes que nunca!

Apanhada de surpresa, refugiei-me nas lágrimas, deixando a dor escorrer-me pela cara abaixo em soluços vindos do âmago da alma. Há semanas que me deito a chorar e acordo a chorar. Os fins de semana, quando o dever não me obriga a sair, passo-os em casa chorando, chorando...

No ano e meio a seguir à transição do Sérgio, isto é, após os primeiros 14 meses, comecei a chorar e chorei, gritei, solucei, bati nas paredes e em mim durante meses seguidos no escondido da minha cave alta no Cacém, longe de todos e de tudo. Chorei tão doridamente e tão profundamente que pensava ter escorraçado a dor tão profunda que me atormentava à tantos anos!

Descubro agora que havia outras dores, algumas muito mais antigas, outras tão bem escondidas nas pregas da mente que foi uma surpresa vê-las saltar frescas e dolorosas como se da primeira vez se tratasse!

Balancei um pouco, confesso, pois estava a ver que um ano maravilhoso de descobertas de luz, paz e amor dentro e fora de mim era apenas uma ilusão do meu anseio por paz, alegria, amor, cumplicidade.

Hoje, no auge de uma profunda dor e tristeza sem fim, contemplei esta foto e ondas de paz e luz me inundaram de novo, restituindo-me o norte (neste caso o sul) para o centro de mim mesma onde reina o amor na plenitude do divino eterno e infinito.

Venham tempestades, furacões, diabos, invejas, dilúvios. Ficam todos lá fora, para lá de Quissico, para lá da vidraça, para lá do meu coração porque dentro reina o amor eterno, uma profunda gratidão ao universo inteiro pelas maravilhosas dádivas que me dá todos os dias nas pessoas especialíssimas que põe no meu caminho, companheiros de viagem que sabem quem sou como eu também sei quem são pois caminhamos todos para a mesma meta de luz e paz.

Como ser humano neste plano de existência e face à sociedade, errei muitas vezes mesmo quando estava convencida de estar a fazer o mais correcto. Descobri, aliás, que, faça o que fizer, há sempre alguém que condena, não gosta, critica.

Aceitarmo-nos e aceitar o outro, sobretudo aceitar o outro é das tarefas mais difíceis desta vida. No entanto, é algo essencial ao crescimento interior de cada um. Se queremos passar ao nível seguinte do jogo da vida, temos que aprender a aceitar e deixar fluir. Não controlar. Não criticar. Apenas amar, agradecer, aceitar e deixar fluir. Nesse estado de não-pensamento as intuições mágicas surgem como que do nada e, subitamente, estamos construindo a vida sonhada de compreensão, paz e amor, laborando no que gostamos, sendo felizes e transmitindo felicidade à nossa volta.

É um equilíbrio delicado que requer muto treino, foco, atenção. Exige uma consciência total do agora, para que os pensamentos sejam os correctos, a não resistência seja real e o desejo insondável de crescer na vertical seja um desafio apaixonante e pelo qual vale apena viver.

Por tudo isto, creio realmente que o ano de 2013 vai ser maravilhoso, com mil surpresas, provações talvez, mas com imenso saldo positivo para todos os que confiem em si mesmos e se deixem levar pelo fluxo energético deste vórtice que nos aspira para paragens mais altas, mais belas, cheias de luz, paz e amor.

A minha gratidão a todos e ao Universo inteiro.



publicado por Nhunguè às 15:04 | link do post | comentar | favorito (1)

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